quinta-feira, 4 de junho de 2009

Medigones in briza.

Mais uma manhã esperando o bus. Sozinha, ali, na frente do parque.
Sentei-me. Nunca se sabe a hora exata que ele chegará, por tanto, sentar seria o melhor a se fazer.

Não se passaram nem dois minutos e veio um senhor em minha direção.
Ele não batia muito bem da cabeça, fato. Porém não se vestia de trapilhos...
Também não se vestia bem, só pra constar. E ainda usava um chapéu de cowboy de sei lá que material, branco meio encardido.

Enfim, ele veio vindo. Não dei muita atenção.
Embora eu sempre dê umas olhadelas nas pessoas que passem por mim, mas com um olhar indiferente, digamos assim.

Ele fez questão de parar em minha frente. Bem na minha frente.
Nossos pés estavam à 40 cm de distância. Eu sentada, ele de pé. Me encarando.
Mas isso foi por cerca de segundos. Logo ele começou a falar: - Olá!
Retribui o Olá com outro e um sorriso, bem simpático por sinal. Não sei porque, apenas quis sorrir.
Ele disse mais algumas duzias de palavras que eu não entendi muito bem, na verdade, não prestará atenção, então disse mais algumas palavras bonitas, tipo um poema, o qual não me recordo. Então eu disse: - Oh, que bonito!
Mais uma vez com um sorriso. E ele sorriu de volta. Achei que eu devesse lhe dar mais atenção, e dei.
- Hoje é aniversário do vovô - ele começou - estou fazendo 60 anos...
- Parabéns! - eu disse em um tom empolgado.
- Estou fazendo 60 anos e não ganhei presente algum. - por um milésimo de segundo, me veio a cabeça que ele pediria dinheiro, depois com o sorriso dele, mudei de opnião. ele continuou...- Mas acabo de me deparar com o meu anjo da guarda.
Fiz uma cara, sem sorrisos, de sem graça e meio que não entendendo erguendo a sombrancelha esquerda. E não, ele não parou.
- O meu anjo é uma menina linda! - apontou pra mim e olhando pro céu disse - Obrigada Deus, por esse anjo. - voltou a olhar pra mim - Você é linda, seu estilo chama a atenção, inteligente... - Ergueu a sombrancelha e me olhou meio por cima durante alguns segundos, eu o imitei - Linda, inteligente...Menina....
- Eu. - o interrompi já que as pausas dele, eram meio longas.
- VOCÊ VAI DAR TRABALHO! - e depois de uma pausa meio grandinha de novo - NA TELEVISÃO!

Virou as costas e foi embora. Assim, sem se despedir.
Fiquei sorrindo sozinha. Não do que ele disse. Mas por ter sido ele quem disse.
As pessoas que passavam e viam a gente conversando, olhavam estranho. Meio com repúdio, medo talvez. E eu ali, como se fosse um amigo da família.

Quarta-feira, quando fui buscar o Vulture no curso dele, nos deparamos com um cachaceiro e ficamos conversando cerca de uma hora. Deveriam dar mais atenção pra essas pessoas. Rendem umas boas risadas. (:

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